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A 8ª geração do ex-líbris da VW!



Primeiro impacto


Entrar a bordo do mais recente Volkswagen Golf demonstra como a tecnologia evoluiu em poucos anos. O corte radical com o modelo de anterior geração é evidente e aponta para um modelo muito mais tecnológico, com muitas funcionalidades de conectividade e de segurança. Além disso, a eletrificação chega em força e o novo Golf apresenta versões com hibridação simples (48 V) e Plug-in para uma experiência sem emissões muito mais funcional com a ‘rede’ do motor térmico.

O grande impacto daquele que é o modelo mais vendido da Europa (no cômputo das sete gerações há já 35 milhões de unidades vendidas) sente-se a bordo. Abrindo a porta, o Golf recebe o condutor num ambiente altamente evoluído, com destaque para a conjunção de ecrãs no tablier.

No compacto familiar de Wolfsburgo, com os comandos físicos reduzidos ao mínimo, a Volkswagen colocou no ecrã central de 8.25 polegadas (ou de 10” nos sistemas de infoentretenimento mais evoluídos Discover Media e Discover Pro, opcionais) a grande maioria das funções e configurações num conceito a que deu o nome Innovision Cockpit, agregando ainda a instrumentação digital de 10 polegadas, que é de série. Totalmente personalizável, é preciso perder algum tempo a ‘navegar’ pelos diferentes menus e atalhos que podem animar o painel de instrumentos – até porque a partir do volante é possível mudar as informações do lado esquerdo e do lado direito de forma independente.

Logo abaixo do ecrã central existe uma pequena barra com comandos táteis embutidos, nessa barra estão inseridos apenas os comandos do volume do áudio e atalhos para a temperatura da climatização, sendo que a grande ‘central’ de utilização para o ar condicionado é acessível também a partir do ecrã tátil (com diferentes modos e configurações possíveis). O mesmo é aplicável para o ajuste de elementos como a luminosidade ou a posição do head-up display (quando disponível). Também na consola central, atalhos para os modos de condução e assistente de condução.

De resto, a qualidade é um ponto de destaque da Volkswagen, que volta a não desapontar nesta sua missão de produzir um dos carros mais competentes do segmento no que diz respeito a robustez e solidez de construção.



Condução como um… Golf


A base MQB é já amplamente conhecida e utilizada em diversos automóveis do Grupo Volkswagen, surgindo também na oitava geração do Golf. Com ligações ao solo reformuladas e uma gama de motores mais eficiente, o modelo alemão guia-se e responde como… um Golf. Ou seja, a condução é suave e equilibrada, alternando entre conforto e agilidade consoante o arrojo pretendido pelo condutor, graças também aos modos de condução diferentes que atuam no DCC (controlo dinâmico de amortecimento), que permitem ajuste entre o Conforto e o Desportivo, tendo havido da parte da Volkswagen um esforço para diferenciar esses parâmetros de utilização. O que quer dizer que no modo desportivo a direção fica mais pesada e o amortecimento bem mais firme. O DCC será opcional na gama base do Golf, mas de série nos GTI, GTD, GTE e R.

Importa referir que as versões de entrada a gasolina e Diesel irão recorrer a um sistema de suspensão mais simples no eixo traseiro, que terá barra de torsão e não esquema multilink.

No entanto, nas unidades ensaiadas, o Golf sempre sobressaiu pela qualidade de rolamento, pela insonorização e pela forma sólida como se comportou, quer em troços mais sinuosos, quer em piso mais degradado. Pode não ser o melhor do segmento nesses dois apartados, mas o seu equilíbrio é critério fundamental e o desempenho é promissor em condução variada.



Vida eletrificada


Se a gama tem início do 1.0 TSI de 110 CV (ou eTSI com sistema ‘mild-hybrid’ de 48 volts que garante maior eficiência), na apresentação internacional, que decorreu no Norte de Portugal, sempre com o Douro por horizonte, apenas estiveram presentes as unidades 1.5 TSI de 150 CV (com e sem ‘mild-hybrid’ de 48 volts) e 2.0 TDI de 150 CV.

Explicando muito brevemente o sistema de 48 volts no 1.5 eTSI, trata-se de uma forma de eletrificar de maneira simples os motores de combustão interna, com um gerador/alternador associado a uma pequena bateria de iões de lítio (com cerca de 250 Wh e situada sob o banco do passageiro). No entanto, a bateria de 12 volts e o motor de arranque convencional permanecem no novo Golf, com uma parte da energia recuperada pela travagem regenerativa a ir precisamente para a bateria tradicional. Ou seja, este Golf possui uma dupla rede elétrica – de 12 e de 48 volts, embora com fins distintos.

A de 48 volts permite não só acumular energia da fase de travagem e desaceleração para posterior aplicação em aceleração (oferece mais 20 CV de potência e 25 Nm de binário adicionais para ajudar na movimentação do Golf), como também desativar o motor de combustão por mais tempo durante as fases de ‘coasting’ (modo à ‘vela’), fornecendo energia a todas as funcionalidades e até à bateria de 12 volts com conversor DC/DC. Surge sempre associado a uma caixa automática de sete velocidades (DSG), cuja atuação prima pela eficácia e competência na gestão do binário.



O primeiro ensaio


As prestações desenvoltas com respostas eficazes e variação muito bem conseguida entre os modos ECO (com combinação da desativação de dois cilindros em carga reduzida do acelerador e modo ‘roda-livre’) e desportivo, fornecendo maior contundência para ganhar velocidade.

Também pudemos conduzir o TSI de 1.5 litros sem o sistema mild-hybrid, progredindo com suavidade nas rotações, ainda que não seja particularmente forte nas prestações, algo que o escalonamento alongado da caixa manual de seis velocidades com que o experimentámos não ajudará.

No caso do 2.0 TDI, também só havia versão de 150 CV, associada a caixa automática DSG, sendo um motor profundamente revisto e entendido quase como uma nova unidade. Com o nome técnico EA 288 Evo, este motor foi trabalhado para baixar emissões, consumos, vibrações e ruído, assumindo-se como uma mecânica bastante eficiente e silenciosa, dando ao Golf uma postura muito agradável na condução. Poupado nos consumos e rápido a ganhar velocidade, esta versão do Golf oferece bom dinamismo, tirando partido também da eficácia da caixa DSG7 para um refinamento muito bem conseguido, oferecendo sensação de segmento Premium.

O novo Golf chegará o mercado nacional em Março de 2020, surgindo com as versões 1.0 TSI de 110 CV (com e sem Mild Hybrid), 1.5 TSI de 150 CV (com e sem Mild Hybrid) e 2.0 TDI de 115 CV e 150 CV. Mais tarde, em junho, chegará o PHEV GTE de 245 CV, chegando no mês seguinte as variantes GTI de 245 CV e GTD de 200 CV, além da mais potente R de 333 CV. Haverá ainda uma versão carrinha ao longo de 2020, mas o mesmo já não acontecerá com o três portas, que faz definitivamente parte do passado.

O preço estimado para o modelo de entrada neste caso, o 1.0 TSI de 110 CV, ronda os 26.000€, sendo o mesmo do Golf atual, mas com bastantes mais conteúdos.




Parece quase uma contradição, mas perante o exterior tão habitual do Golf, o interior é revolucionário, com tecnologias bastante evoluídas e sofisticação acima da média para aquele que é um modelo de grande volume na marca alemã. Com efeito, o novo Golf não escapa até a algum risco ao enveredar por corte tão radical com o passado – um modelo que se comporta de forma precisa e sólida, recorrendo a motores eficientes de nova geração para se manter como um dos compactos familiares mais fortes da atualidade perante uma concorrência feroz que conheceu diversos desenvolvimentos ao longo dos últimos anos.


Fonte: Motor24